Plínio
Marcos
- Nome Completo: Plínio Marcos de Barros
- Natural de: Santos, SP, Brasil
- Nascimento: 29 de Setembro de 1935
- Falecimento: 19 de Novembro de 1999/li>
Filmografia - Ator
1978 - A Santa Donzela
1971 - O Donzelo
1970 -
Arte
de Amar Bem
1970 - Beto Rockfeller (Vitório)
Filmografia - Diretor
Prêmios
-
Curiosidades
- Filho de um bancário (Armando) e de uma dona-de-casa
(Hermínia), tinha 4 irmãos e uma irmã.
- Seu pai, que era espírita, o colocou para vender
livros numa banca de livros espíritas numa praça
de Santos. Entre suas múltiplas atividades, inclui-se,
ainda, a de estivador no cais do porto de Santos.
- Já adulto, afirmava que tinha sido canhoto na infância
e que, pelos métodos educacionais da sua época
de criança, fora forçado a usar apenas a mão
direita, o que lhe dificultaria o aprendizado, impedindo-o
de realizar os trabalhos escolares com a mesma rapidez dos
seus colegas. Isso, dizia, teria contribuído para torná-lo
alienado do processo de aprendizado. Mas, o fato é
que sempre realizava todas as atividades com a mão
direita, inclusive escrever. E toda a sua obra foi manuscrita.
- Queria mesmo era ser jogador de futebol. Chegou até
a jogar no juvenil da Portuguesa Santista, no Jabaquara. Inclusive
entrou para a Aeronáutica seduzido pela idéia
de jogar no time dela. Começou a jogar na várzea
santista, como ponta-esquerda, e era tido como bom jogador.
- Começou a vida profissional como palhaço de
circo. Queria namorar uma moça do circo, que conheceu
quando o cantor do nosso bairro foi cantar no circo. O pai
dela só deixava ela namorar gente do circo.
- Em 1953, percorria o interior paulista com a Companhia Santista
de Teatro de Variedades, atuando como palhaço e humorista,
e também dirigindo shows. Chegou a ser humorista da
Rádio Atlântico e da Rádio Cacique, de
Santos.
- Também começou a se apresentar na TV-5, de
Santos, como humorista e como palhaço Frajola, alcançando
grande popularidade. Já era apresentado nos shows como
"o cômico mais querido da cidade", ou "o
cômico da televisão".
- Em 1958, Patrícia Galvão, a Pagu, estava precisando
de um cara pra substituir um ator de uma peça infantil
que estava fazendo "Pluft, o Fantasminha" e tinha
que ser feita no dia seguinte. Fi convidado e aceitou.
- Nessa época, é membro do Clube de Poesia,
do jornal O Diário, de Santos, tendo várias
poesias publicadas. Começa, também, a trabalhar
ativamente no teatro amador santista, tradicionalmente de
boa qualidade.
- Em 58 e 59, trabalha com sucesso como ator e/ou diretor
em várias peças: "Pluft, o Fantasminha",
"Verinha e o Lobo", "Menina Sem Nome",
"A Longa Viagem de Volta", "Escurial",
"O Rapto das Cebolinhas", "Jenny no Pomar",
"Triângulo Escaleno", "Fando e Lis'.
- Houve um caso, em Santos, que o chocou profundamente: um
garoto foi preso por uma besteira e, na cadeia, foi currado.
Quando saiu, dois dias depois, matou quatro dos caras que
estavam com ele na cela. Ficou tão chocado com esse
acontecimento que escreveu "Barrela".
- O texto foi enviado para a Censura Federal, que o proibiu.
A Patrícia Galvão comunicou-se com o Pascoal
Carlos Magno, uma espécie de ministro sem pasta do
Governo de Juscelino Kubitschek. Ele, então, enviou
um telegrama diretamente do gabinete do presidente dizendo
para a polícia reconsiderar a proibição
da peça. E o texto foi liberado para uma apresentação,
no dia 1º de Novembro de 1959, no palco do Centro Português
de Santos, ficando depois proibido pela Censura Federal por
vinte e um anos.
- No dia seguinte, a cidade só falava da peça.
Plínio achava tudo lindo e um gênio, até
que, de tanto encherem, escreveu outra peça, sem ter
absolutamente nada pra dizer. A peça era "Os Fantoches",
ou "Chapéu sobre Paralelepípedo para Alguém
Chutar", reescrita depois como "Jornada de um Imbecil
até o Entendimento". E foi um vexame grande, tão
grande, que no dia seguinte Patrícia Galvão,
que escrevia crítica de teatro para o jornal A Tribuna
de Santos, botou na Tribuna o seu retrato de gravata borboleta
e tudo, com uma manchete: "Esse analfabeto esperava outro
milagre de circo." Mas ele não se abateu.
- Trabalhando de técnico na Televisão Tupi,
ninguém convidava pra nada. Ninguém se lembrava
que ele era também ator. Então escreveu uma
peça com papel pra ele mesmo. Uma peça de dois
personagens, inspirada num conto do "Moravia, O Terror
de Roma". Pegou o Ademir Rocha, que também estava
desempregado, e chamei o Benjamin Cattan pra dirigir. E, como
não tínhamos local, fomos estrear no Ponto de
Encontro, um bar na Galeria Metrópole, que o Emílio
Fontana conseguiu pra nós. A Nídia Lycia emprestou
os cinqüenta mil-réis pra montar a peça.
O Bucka outro dinheirinho. O pessoal da técnica da
Tupi ajudou a afanar refletores, os praticáveis, as
camas e tudo aquilo de que precisávamos para o cenário.
O transporte foi feito pelo pessoal da garagem. O Toninho
Matos e o Paulinho Ubiratan (depois diretor da Globo) operavam
luz e som.
- Cinco pessoas foram assistir à estréia: a
Walderez, o Carlos Murtinho, a mulher do Ademir, um bêbado,
que não quis sair porque aquilo lá era um bar,
e o Roberto Freire. Voltou a ser notícia como autor
teatral.
- A Cacilda Becker, quando viu a peça, comentou: "Incrível!
Você conhece dez palavras e dez palavrões, e
escreveu uma peça genial".
- Outras peças vieram: "Navalha na Carne",
"Quando as Máquinas Param", "Homens
de Papel".
- "Dois Perdidos" foi liberada porque naqueles dias
a Censura passou da Polícia Estadual para Federal.
E mudaram os censores. Mandaram o Coelho Neto assistir ao
ensaio. Homem de teatro, diretor de peças. Foi da comissão
julgadora do Festival de Santos, quando a Barrela se consagrou.
Numa tarde de sábado, chuvosa e fria, num estúdio
abandonado da Tupi, sem cenário, Plínio e Ademir,
sentados em bancos velhos, leram o texto pra ele. Quando acabaram,
ele liberou o texto sem cortes.
- Com Navalha na Carne, seria diferente. A peça estava
sendo já ensaiada em São Paulo, com Ruthnéa
de Moraes, Paulo Vilaça e Edgard Gurgel Aranha, sob
a direção de Jairo Arco e Flexa, quando veio
a proibição da Censura Federal. E só
seria liberada depois de uma batalha imensa, que começou
com uma apresentação na casa de Cacilda Becker.
Cacilda morava num duplex na Avenida Paulista e havia transformado
a parte superior num teatrinho. Às segundas-feiras,
organizava leituras de peças, debates, convidando sempre
artistas e intelectuais. Quando soube da proibição
de Navalha, ofereceu esse espaço ao Plínio e
ao elenco, iniciando assim um movimento nacional pela liberação
da peça, colhendo depoimentos de pessoas importantes
do meio artístico e cultural, que haviam sido convidadas
para assistirem à apresentação.
- Foram depois para o Rio de Janeiro. A apresentação
da peça, a portas fechadas, seria no Teatro Opinião.
O Exército cercou o teatro. Proibiu a apresentação.
A Tônia Carrero comprou a briga. Levou a apresentação
pra uma casa vazia que ela tinha no morro de Santa Teresa.
Pra despistar, Plínio ficou dando entrevista aos jornalistas,
enquanto o público, recebia senhas com o endereço
da casa da Tônia, e ia saindo sem alarde. A casa ficou
lotada e tinha público para outro espetáculo.
Ao final, Tônia disse que poderia liberar a peça,
com a condição de ela fazer o papel. Ficou acertado,
então, que ela faria a peça no Rio, e Ruthnéa
faria em São Paulo. Plínio impôs uma condição:
que Fauzi Arap, que havia dirigido uma montagem de "Dois
Perdidos" no Rio, dirigisse "Navalha" com a
Tônia.
- De repente, todas as suas peças foram proibidas.
Por quê? Ninguém dizia coisa com coisa. Um censor,
num dia em que Plínio perguntou por que todas as minhas
peças estavam proibidas, ficou nervoso: "Porque
suas peças são pornográficas e subversivas".
"Mas por que são pornográficas e subversivas?".
"São pornográficas porque têm palavrão.
E são subversivas porque você sabe que não
pode escrever com palavrão e escreve".
- Faleceu em São Paulo, em 19 de Novembro de 1999.