Alberto
Cavalcanti
- Nome Completo: Alberto de Almeida Cavalcanti
- Natural de: Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- Nascimento: 1897
- Falecimento:
Filmografia - Ator
1977 - Um Homem E O Cinema
Filmografia - Diretor
1977 - Um Homem E O Cinema
1967 - Story of Israel
1962 - Yerma
1961 - The Monster of Highgate Ponds
1958 - A Primeira Noite
1955 - O Senhor Puntila E Seu Criado Matti
1954 - Mulher De Verdade
1953 -
O Canto Do Mar
1952 -
Simão,
O Caolho
1948 - O Transgressor
1947 - Nas Garras Da Fatalidade
1947 - O Príncipe Regente
1946 - The Life And Adventures Of Nicholas Nickleby
1945 - Deadofnight (2º Episódio: 'The Christmas
Story' E 4º Episódio: 'The Ventriloquists Dummy')
1944 - Champagne Charlie
1942 - Film And Reality
1942 - Quarenta E Oito Horas
1933 - Le Mari Garçon
1933 - Coralie Et Cie
1932 - O Tio Da América
1931 - Dans Une Ïle Perdue
1930 - Toute Sa Vie
1930 - A Canção Do Berço
1930 - A Michemin Du Ciel
1930 - Les Vacances Du Diable
1927 - Yvette
1927 - En Rade
1926 - Rien Que Les Heures
1926 - Le Train Sans Yeux
1928 - Le Capitaine Fracasse
Prêmios
- Melhor diretor, prêmio "Associação Brasileira
de Cronistas Cinematográficos", Rio de Janeiro,
em 1952
- Melhor diretor no prêmio "Sací", São
Paulo, em 1952.
Curiosidades
- Alberto Cavalcanti nasceu numa família de militares
positivistas do Nordeste, então instalados na capital
da República.
- Neste meio tradicional, a personalidade extrovertida de
Cavalcanti, vo1tada desde cedo para as artes, chega às
raias da incompatibilidade devido à sua homossexualidade.
- Arquiteto formado em Genebra, estuda belas-artes em Paris
e não se adapta mais à vida no Rio de Janeiro.
- Sua primeira experiência no cinema ocorre em Paris,
a partir de 1922, como assistente e cenógrafo de Marcel
L'Herbier.
- Cavalcanti se integra perfeitamente ao ambiente intelectual,
dominado então pelo surrealismo.
- O jovem brasileiro participa da efervescência conhecida
como a primeira vanguarda francesa, uma corrente impressionista
empenhada em afirmar a especificidade do cinema em relação
ao teatro e ao folhetim.
- Rien Que Les Heures (1926) demonstra o talento de Cavalcanti
e sua sensibilidade, ao transformar a cidade na verdadeira
personagem de um filme em parte documental, em parte ficcional.
Filmado pouco depois de Le Train Sansyeux, sua estréia
como diretor numa linha mais convencional, Rien Que Les Heures
anuncia as sinfonias urbanas de Walter Ruttmann e Dziga Vertov,
Adalberto Kemeny e Rodolfo Rex Lustig. Um drama portuário
pessimista.
- En Rade, inicia sua colaboração com a atriz
Catherine Hessling e certa rivalidade com Jean Renoir, intérprete
do proxeneta no curta-metragem La P'tite Lili (1927).
- No contexto artesanal e instável do cinema francês,
Cavalcanti alterna experiências poéticas como
En Rade ou Le Petit Chaperon Rouge, com adaptações
mais prosaicas como Yvette (baseada em Maupassant) ou Le capitaine
fracasse (baseada em Théophile Gautier).
- O aparecimento do cinema sonoro encerra essa primeira fase
de afirmação criativa e profissional.
- A segunda fase da sua carreira, também na França,
assinala a integração numa verdadeira indústria,
a produção em série organizada pela Paramount
nos estúdios de Joinville.
- Nos primeiros anos do cinema falado, as companhias norte-americanas
procuram consolidar seus mercados com uma produção
barata filmada em várias línguas: profissionais
de diversas origens conhecem por dentro o sistema dos estúdios,
o modelo hegemônico de Hollywood.
- Cavalcanti dirige em Joinville versões francesas
e um filme em português (A Canção Do Berço),
antes de assumir outros projetos comerciais de produtores
locais.
- A terceira e a quarta fase da carreira de Cavalcanti transcorrem
na Grã-Bretanha, repetindo a anterior alternância
entre o experimentalismo e o sistema dos estúdios.
- Procurando aproveitar as novas possibilidades expressivas
abertas pelo som, Cavalcanti aceita o convite de John Grierson
e entra para a equipe do General Post Office Film Unit. Apesar
do seu caráter institucional, a produção
do GPO revoluciona o documentário de cunho social.
- Na escola documentária britânica, a dupla com
maior vivência formada por Grierson e Cavalcanti possui
uma boa dose de rivalidade, polarizada pelas prioridades políticas
do escocês e a exigência formal do brasileiro.
- Pela primeira vez, Cavalcantt pode dar vazão à
sua vocação pedagógica, estimulando a
formação de um grupo de jovens cineastas capazes
de conciliar a serisibilidade social e a renovação
da linguagem (Hany Watt, Humphrey Jennings. Len Lye).
- A fusão criativa da imagem e do som, o comentário
e a música, a pesquisa em torno do ritmo (esboçada
desde Rien Que Les Heures), encontram um novo campo de expressão.
- Além da sua contribuição muitas vezes
anônima à maioria dos filmes do GPO, o cineasta
brasileiro realiza em 1934, Pett And Pott e em 1936 o clássico
Coalface.
- Ao mesmo tempo, empreende uma reflexão sobre o documentário
(e o realismo cinematográfico) em forma de antologia
de longa-metragem, Film and Reality.
- Durante a Segunda Guerra Mundial, recusa a nacionalidade
britânica. Passa a trabalhar para os estúdios
Ealing, de Michael Balcon, um dos pilares da indústria
inglesa.
- Nessa quarta fase da carreira, suas condições
de atuação mudam completamente, mas Cavalcanti
mantém o papel de formador de uma nova geração
de diretores: Charles Frend, Charles Crichton, Basil Dearden
e Robert Hamer. Com os três últimos compartilha
a direção de um dos seus maiores sucessos, o
episódio 'The Ventriloquist's Dummy' de Dead of Night.
- Cavalcanti começa na Ealing fazendo um filme de montagem
de propaganda contra Mussolini (Yellow Caesar, 1941) e atuando
como produtor associado de The Foreman Went to France (Querer
é poder, Charles Frend, 1942).
- Depois dirige o longa-metragem Quarenta E Oito Horas, o
único filmado na Grã-Bretanha durante a guerra
a considerar a hipótese de uma invasão. Trata-se
de um filme "incômodo", sem personagem principal
nem sentimentalismo, afastado dos parâmetros do cinema
bélico, cuja incongruência é valorizada
"a posteriori" e atribuída à influência
surrealista.
- Cavalcanti dirige com a mesma competência duas fitas
ambientadas no século XIX: Champagne
Charlie e The Life and Adventures of Nicholas Nickleby, baseada
em romance de Charles Dickens.
- Depois de afastar-se da companhia de Michael Balcon, dirige
mais três filmes na Inglaterra: Nas Garras Da Fatalidade,
O Príncipe Regente e O Transgressor.
- Uma nova frustração, o projeto abortado de
adaptar Sparkenbroke, de Charles Morgan para a Rank, provoca
outra mudança de rumo, a quinta fase da sua carreira:
aceita a proposta de Assis Chateaubriand para dar uma série
de palestras sobre cinema no Museu de Arte de São Paulo
em 1949.
- Cavalcanti volta ao Brasil pela primeira vez em 30 anos
e descobre um ambiente cultural desconhecido.
- Assume a orientação artística da nova
Companhia Cinematográfica Vera Cruz*, como produtor
geral (1950), um autêntico desafio. Contrata e leva
para os estúdios de São Bernardo do Campo técnicos
de diversas origens. Supervisiona a primeira produção
da Vera Cruz, Caiçara, de Adolfo Celi, e os documentários
Painel e Santuário (ambos de Lima Barreto), tropeça
em Terra É Sempre Terra, de Tom Payne e fracassa ao
tentar encaminhar Ângela (primeiro longa-metragem cuja
direção tinha sido confiada a um brasileiro,
Martim Gonçalves).
- Os desentendimentos e a ruptura com os donos da companhia
são muito rápidos e provocam uma campanha de
desprestígio proporcional às expectativas criadas
em torno do único cineasta brasileiro com trajetória
internacional. De fato, ninguém no Brasil possuía
experiência tão rica, na direção
e produção, na vanguarda experimental e no sistema
dos estúdios, na formação de equipes
e novos cineastas. Até então, o cinema nacional
acumulava fracassos e veleidades. No entanto, sobre Cavalcanti
confluem os preconceitos de conservadores e comunistas, grã-finos
e intelectuais, que rejeitam sua personalidade e autoridade.
- Dirige Simão, O Caolho, ainda em São Paulo,
para a Maristela, além de dois filmes para a nova produtora
carioca Kino Filmes, O Canto Do Mar e Mulher De Verdade.
- Durante essa fase, Cavalcanti elabora o primeiro projeto
do Instituto Nacional do Cinema (INC) e publica o livro "Filme
e realidade", uma reflexão pioneira sobre o panorama
do cinema brasileiro.
- Desgostoso, empreende a volta à Europa.
- A sexta e última fase da vida de Cavalcanti, a mais
prolongada e melancólica, é a de um homem sucessivamente
deslocado de três países (a França, a
Grã-Bretanha e o Brasil), e que oscila entre o seu
refúgio de Anacapri (Itália) e uma atividade
nômade por força das circunstâncias.
- Uma das novidades é sua condição de
companheiro de viagem do comunismo, iniciada com a filmagem
de O senhor Puntila e seu criado Matti, Áustria, e
o encontro com o próprio autor, Bertolt Brecht.
- Com Joris Ivens, supervisiona o filme de episódios
A Rosa-Dos-Ventos (1955), produção internacional
patrocinada pela antiga Alemanha Oriental, cuja parte brasileira
foi escrita por Jorge Amado, Cavalcanti e Trigueirinho Neto,
dirigida por Alex Viany e interpretada por Vanja Orico e Miguel
Torres.
- Além de trabalhos para televisão e teatro,
Cavalcanti empreende um balanço da sua obra, sob a
forma de antologia temática, Um Homem E O Cinema, co-produzida
pela Embrafilme.
- Inconformado com a frustração da sua quinta
fase (a Vera Cruz nunca chegou a filmar a biografia de Noel
Rosa que ele planejara), mantém durante os últimos
anos um projeto brasileiro que não consegue levar adiante,
"O Dr. Judeu", baseado na vida de Antonio José
da Silva, vítima da Inquisição (filmada
finalmente por Jom Tob Azulay, produtor de Um Homem E O Cinema).
- Antônio Carlos Fontoura dirige o média-metragem
Brasília (1982), a partir de um roteiro de Cavalcanti.
- Simão, O Caolho, interpretado por Mesquitinha, é
uma comédia ambientada nos bairros populares de São
Paulo. Sua inspiração está mais próxima
do neo-realismo do que da chanchada carioca, misturando toques
sociais, políticos e religiosos com uma fantasia ingênua.
- Mulher De Verdade, menos pretensiosa ainda, é uma
comédia de situações que se presta a
certas ironias sobre as relações entre homens
e mulheres.
- Ambos os filmes contribuem à diversificação
da comédia, único gênero que se constitui
com continuidade no cinema brasileiro.
- Mais importantes, O Canto Do Mar e o episódio brasileiro
de A Rosa-Dos-Ventos, 'Ana', representam uma guinada na temática
nordestina do cinema nacional contemporâneo, depois
do desaparecimento dos Ciclos Regionais do período
mudo. Enquanto O Cangaceiro procura aclimatar as convenções
do gênero épico e o lirismo musical do cinema
mexicano à produção industrial paulista,
Cavalcanti prefere explorar os caminhos inéditos no
Brasil de um realismo humanista. O Canto Do Mar e A Rosa-Dos-Ventos
foram filmados no Nordeste, região que voltaria a atrair
Trigueirinho Neto e Miguel Torres, ligados à renovação
dos anos 60.
- Reduzir O Canto Do Mar a um simples remake de En Rade ou
criticar seus aspectos folclóricos é parte da
miopia da época. O hibridismo entre a antiga vanguarda
e a crescente sensibilidade social mostram que tanto o filme
quanto o cineasta são figuras da transição
entre o velho e o novo. O próprio tom desesperado,
afastado dos padrões então vigentes no "realismo
socialista" parece sintonizado com o sentimento moderno
perceptível nos filmes do Cinema Novo, menos impregnados
de messianismo militante. O Canto Do Mar seria suficiente
para garantir a Cavalcanti um lugar de destaque na história
do cinema brasileiro, sem falar na sua participação
em vários momentos decisivos da história do
cinema mundial (a vanguarda francesa, o documentário
social, a Ealing).
- Ele morre em Paris, no dia 23 de Agosto de 1982.
- No Festival internacional de São Paulo de 2002 teve
uma retospectiva em sua homenagem.
- No ano de 2005 o Ministério da Cultura e o SESC-Rio
se uniram para homenageá-lo, as homenagens, que se
estendem na ponte Brasil-França neste ano, começaram
com o lançamento do livro "Alberto Cavalcanti
- o cineasta do mundo", de Sergio Caldieri, no dia 21
de Fevereiro de 2005, no Art SESC Flamengo, no Rio de Janeiro.
A celebração prossegue, em março, com
a abertura de uma exposição multimídia
no Espaço SESC, em Copacabana, e de uma mostra de 18
filmes na Cinemateca do MAM. Nesta ocasião também
será lançado um catálogo completo de
sua obra, com filmografia detalhada de cerca de 126 filmes
e bibliografia de referência.
(fonte básica: "Enciclopédia do Cinema
Brasileiro")