Romance
Proibido

Duas
ex-colegas de colégio amam o mesmo rapaz; uma sentindo-se
abandonada vai lecionar no interior, num local bem atrasado,
revolucionando o ensino; por coincidência, volta a encontrar
o rapaz. A professora, não querendo atrapalhar seu
casamento com uma de suas melhores amigas, finge não
gostar mais dele e vai lecionar em outro lugar.
Ficha Técnica
Título Original: Romance Proibido
Gênero: Drama
Duração: 64.5 min.
Lançamento (Brasil): 1944
Estúdio: Cinédía
Distribuição:
Direção: Adhemar
Gonzaga
Assistente de Direção: George (Jiri)
Dusek
Roteiro: Adhemar Gonzaga
Diálogos: Benjamim Costallat
Produção: Adhemar Gonzaga
Assistente de produção: Manoel Rocha
e Paulo Marra
Companhia produtora: Cinédia
Música: Luiz Braga Júnior
Som: Hélio Barroio Netto
Fotografia: Afrodísio de Castro
Camera: George Fanto
Desenho de Produção: Hippolito Collomb
Eletricista: Napoleão Sales Pinto
Maquiagem: Reginaldo Calmon
Coreografia: Eros Volúsia
Carpintaria: Ernesto Fonseca, Antônio Costa,
Carlos Ferreira, Francisco Silva, Orlando Falcone, Newton Santos,
Manoel Gomes Leite, Manoel Morais, Agenor Cunha, José
Trigo e Adelino Rodrigues
Desenho do cartaz: Vicente Caruso
Elenco
Milton Marinho (Carlos Modesto)
Lúcia Larnur (Gracia Rangel)
Nilza Magrassi (Tamar)
Manoel Rocha (Cavalcanti, Pai de Tamar)
Dea Robine (Governanta Eufrasia)
Aurora Aboim (Tia de Gracia)
Anita D'Alva (Amiga de Gracia)
Wilson Maciel (Amigo de Gracia)
Jararaca (Jararaca, amigo Carlos)
Roberto Lupo (Médico, Roberto Monteiro)
Dercy
Gonçalves (Dercy)
Boxeur Barrozo (Mário Brigão)
Zizinha Macedo (D.Zizinha, dona da casa Guarantã)
Yolanda Santoro (Filha de D. Zizinha)
Grande Otelo (Molecote)
Violeta
Ferraz (Inspetora no colégio feminino)
Eros Volúsia
Lolita Cortez
Modesto de Souza
Vicente Marchelli
Vina de Souza
Rosa Sandrini
Antônio Palma
Jesus Ruas
Lola Maris
Jota Silveira
Nena Napoli
Zizinha Macedo
Carlos Barbosa
José Cardoso
Rosita Rocha
Fada Santoro
Nelson Oliver
Yolanda Santoro
Oswaldo Loureiro
Georgina Teixeira
Otávio França
Violeta Ferraz
Estefânia Louro
Déa Robine
Divanete Reis
Giselda Schneider
Iris Belmonte
Vera Mara
José Soares
Jota Helvétio
Mendonça Balsemão
Nelson de Oliveira
Otílio Almeida
Paulo Marra
Pedro Dias
Chocolate
Boxeur Barroso
Divanette Sá Silva
Manoel Collares
Ivete Maddalena
Georgina Teixeira
Izaulina Moreira
Francisco Dias
José dos Santos Cardoso
Álvaro Rocha
Reginaldo Calmon
Jayme Ferreira
Adhemar
Gonzaga (no baile)
Fada
Santoro
Pôsters
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Premiações
-
Curiosidades
- Exteriores na Ilha de Pancaraíba, Excelsior, Fazenda
Carlos Guinle, Casa Benzazoni Lage e Fazenda na Gávea
de Raul Monteiro Guimarães.
- Pela 1ª vez no Brasil, usa-se o Negativo Plus X da
Kodak, em 2 de janeiro de 1940.
- Exteriores: Ilha de Pancaraíba, Excelsior, Fazenda
Carlos Guinle, Casa Benzazoni Lage, fazenda na Gávea
de Raul Monteiro Guimarães e seqüências
rurais em Deodoro.
- Romance Proibido, um dos filmes mais luxuosos e de maior
pobreza (pólos extremos), com montagens grandiosas,
guarda-roupa bem cuidado, de Iracema Gomes Marques, uma das
maiores modistas do Rio de Janeiro, na época.
- Com uma figuração variadíssima e numerosa,
era uma campanha contra o analfabetismo.
- Um momento muito importante do filme, na concepção
de Adhemar Gonzaga, é a cena em que a professora acaba
de projetar um filme educativo aos alunos. A câmera
fecha no projetor de 16mm (pela primeira vez mostrado no cinema),
e abre num cartaz de um filme de cowboy do cinema local.
- A 26 de outubro de 1939, na Cinédia, filmava-se sob
a direção de Amadeu Castelaneta, "Joujoux
e balangandãs", repetição cinematográfica
do espetáculo de caridade do Teatro Municipal, patrocinado
pela Sra. Darcy Vargas.
A cessão inesperada dos estúdios - era por dez
dias e ficaram à disposição de "Joujoux"
por noventa dias prejudicou seriamente as filmagens e os recursos
para Romance Proibido. Estavam também iniciados os
preparativos para a produção de Pureza.
- O automóvel em que a professora viaja é um
Buick 1928, sedã, usado, equipado com todos os seus
pertences e acessórios, conforme fatura nº 6.913
da Cia. Comercial e Marítima, de 31 de agosto de 1939,
no valor de 1 200.
- George Fanto, o câmera, colaborou com os operadores
de "Cais das sombras" (Schuftan), com os de "Pecadoras
de Túnis" (Concert Courant) e com Rudolph Mate,
que fez "Marco Polo".
- Hippólito Collomb, a 26 de janeiro de 1940, recebeu
o prêmio dos críticos como o melhor cenógrafo.
- "Romance Proibido" foi o terceiro filme dirigido
por Adhemar Gonzaga.
- Iniciado em 1939, teve a sua realização cerceada
por vários motivos: a dificuldade de obtenção
de filme virgem, de produtos químicos necessários.
à revelação e copiagem, e a recessão
econômica do país em virtude da II Guerra Mundial
e seus efeitos colaterais, além dos rigores da censura
da época.
- Esteve seis anos em produção, freqüentemente
interrompido. Somente em 1944 foi terminado.
- O roteiro é inspirado na idéia de Paulo Wanderley
para o filme "Saudade", que Adhemar Gonzaga pretendia
dirigir em 1930. As personagens são, em sua estrutura,
as mesmas. Porém, as situações e o cunho
didático nacionalista foram introduzidos posteriormente.
- Típico exemplar do cinema brasileiro dos anos de
guerra e do Estado Novo, "Romance Proibido", a exemplo
de "Aves sem ninho" e "Caminhos do céu",
é filme nacionalista e austero, que exalta o valor
dos seres humanos que abdicam de suas aspirações
pessoais em benefício do progresso da coletividade,
através do nobre exercício de uma profissão.
- Estreou no Rio de Janeiro nos Cinemas Plaza, Astória,
Olinda, Ritz e República, a 18 de dezembro de 1944.
O maior lançamento já obtido para filmes do
cinema brasileiro. Em São Paulo, no Cinema Metro, a
14 de dezembro de 1944.
- Foram figurantes Manoel Collares, Ivete Maddalena, Georgina
Teixeira, Izaulina Moreira, Estefania Louro, Francisco Dias,
José dos Santos Cardoso, Paulo Marra, Álvaro
Rocha, Reginaldo Calmon, George Dusek, Carlos D'Eça,
Modesto de Souza, Nelson oliveira, Nena Napoli, Octávio
França, Osvaldo Loureiro, Jayme Ferreira, Carlos Barbosa,
Jesus Ruas, Franz Rudim, José de Mendonça Balsemão,
Elias Celeste, José Soares, Adhemar Gonzaga e Fada
Santoro. Muitos desses figurantes estavam nas cenas desaparecidas
do filme.
- Estréia de Dercy Gonçalves no cinema, sem
ser figurante.
- Romance Proibido foi dirigido por Adhemar Gonzaga em meio
ao contexto da Segunda Guerra Mundial, o que significou uma
produção arrastada - começou em 1939
-, complicada do ponto de vista técnico - faltava filme
virgem, reagentes, etc. - e com reflexos na parte artística.
- Era uma refilmagem disfarçada de Barro Humano e do
inacabado Saudade, com a história deslocada para o
contexto do Estado Novo. Em vez do final feliz original, a
protagonista agora ficava sozinha e decidia levar a educação
para as comunidades do interior, em missão patriótica
tão ao gosto do momento.
- O nacionalismo gonzagueano flertava com o autoritarismo
varguista em sua face de renovação espiritual
e social do homem brasileiro, com direito à presença
do projetor cinematográfico em plena sala de aula,
como um instrumento fundamental de difusão da educação
e da cultura.
- As grandes qualidades de Romance Proibido estão em
sua força como documento de época, revelando
um desencanto com a elite perdulária, vazia e descompromissada
politicamente, e uma adesão ao ideal do "novo
homem brasileiro" estadonovista. Bem entendido, o nacionalismo
gonzagueano se serve do contexto do momento, mas não
sem fazer certos reparos e indicar os limites do projeto governista.
É particularmente interessante o contraste que se estabelece
entre os freqüentadores chiques do cassino e a apresentação
de um número de bailado na escola nacionalista de dança
folclórica, e a introdução do projetor
cinematográfico na escola pública, sem prejuízo
do consumo de cinema, qualquer que seja a cinematografia (no
filme, corta-se da sala de aula para a porta de um cinema
que está exibindo um western norte-americano), sabendo-se
o quanto parte do governo getulista era xenófobo à
América.
- O filme não sobreviveu completo, perdendo-se certos
trechos, substituídos para efeito de compreensão
da estória por fotografias e legendas. Mesmo assim
evidencia as potencialidades e os problemas de um cinema de
estúdio no Brasil àquela altura. Há prodígios
cenográficos, como o prédio da escola, assim
como limitações gravíssimas, como a ausências
de móveis em certos ambientes, substituídos
por réplicas singelas.
- Sinopse completa:
Passando por dificuldades financeiras em sua fazenda, Cavalcanti
vem ao Rio de Janeiro buscar a filha Tamar, que estuda em
um colégio interno. No retorno ela reencontra Carlos,
sua grande paixão e de quem está noiva há
tempos. Resolvem marcar o casamento para a volta de Carlos
da capital federal, embora haja quem duvide que o enlace se
consume. O boêmio Carlos viaja com o grande amigo e
companheiro de farras Jararaca. Após acertarem as dívidas
com o banco, resolvem fazer uma incursão pela noite
do Rio. Carlos conhece e se apaixona por Gracia, uma coquete
dama da sociedade, sem saber que ela e Tamar são grandes
amigas. Quando a verdade é revelada, Gracia rompe o
namoro e decide lecionar no interior do país, juntando-se
ao esforço educacional e civilizatório do governo,
sem imaginar que o destino ainda testaria seus sentimentos
e sua determinação.
(fonte: Arquivos da Cinédia)