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A Pessoa É Para O Que Nasce

São irmãs. São três. São cegas. Unidas por esta peripécia incomum do destino, viveram toda sua vida cantando e tocando ganzá em troca de esmolas nas cidades e feiras do nordeste do Brasil. O filme acompanha os afazeres cotidianos destas mulheres e revela suas curiosas estratégias de sobrevivência, da qual participam parentes e vizinhos. Acompanha também, numa reviravolta inesperada, o efeito do cinema na vida destas mulheres, transformando-as em celebridades. Um filme em que diretor e personagens confrontam-se com os laços que surgem entre eles, revelando a sedução e os riscos do ofício de documentarista.

Ficha Técnica

Título Original: A Pessoa É Para O Que Nasce
Gênero: Documentário
Duração: 84 min.
Lançamento (Brasil): 2003
Distribuição: 
Direção: Roberto Berliner
Co-Direção: Leonardo Domingues
Roteiro: Maurício Lissovsky
Produção executiva: Renato Pereira, Rodrigo Letier e Paola Vieira
Produtores associados: Jacques Cheuiche e Leonardo Domingues
Música: Hermeto Pascoal
Som: Paulo Ricardo Nunes
Fotografia: Jacques Cheuiche
Edição: Leonardo Domingues
Pós-Produção: Anna Julia Werneck e Kika Brandão
Edição de som e mixagem: Denilson Campos e Mariana Barsted
Identidade visual: Marcelo Pereira e Clarisse Siqueira

Elenco

Maria Barbosa
Regina
Conceição
Gilberto Gil

Pôsters

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Premiações

-

Curiosidades

- A Pessoa é Para O Que Nasce foi, inicialmente, um curta-metragem que percorreu vários festivais do Brasil e do mundo.

- Título em inglês Born To Be Blind.

- Roberto Berliner nasceu no Rio de Janeiro, em 1958. Iniciou sua carreira como diretor na década de 1980, com o registro de eventos no Circo Voador. Em 1989, realizou o documentário Angola, premiado no festival do Centre International de Création Vídeo Montbeliard Belford. Construiu sólida carreira como diretor de videoclipes, documentários e filmes publicitários. Dirigiu a série O som da rua (1997) e os curtas Afinação da interioridade (2002), A Pessoa é para o que Nasce (1998) e Andréia Andróide (1988). A pessoa é para o que nasce é o seu primeiro longa.

- Em 1997, durante as filmagens da série de TV "Som da Rua", sobre músicos anônimos, o diretor Roberto Berliner conheceu as irmãs Regina, Maria e Conceição. Como elas já não cantavam mais nas ruas, não possuíam mais os ganzás, sem os quais não se sentiam a vontade para cantar. Enquanto a produção providenciava novos instrumentos, a equipe teve oportunidade de conversar longamente com as três. A filmagem para o programa foi realizada, mas Roberto deixou o set tão impressionado com o que viu e ouviu, que decidiu que as três ceguinhas seriam o tema de seu próximo filme.
Alguns meses depois, Roberto voltou ao nordeste com o roteirista Maurício Lissovsky e uma câmera digital, para uma série entrevistas que serviriam de base para elaboração do roteiro. Com o apoio do Ministério da Cultura, este material de pesquisa serviu de base para a edição de um curta-metragem, que serviria ainda como laboratório de linguagem para uma obra de maior fôlego. O curta "A pessoa é para o que nasce" , com seis minutos de duração, foi lançado em 1998 e ganhou muitos prêmios, no Brasil e no exterior.
Partiu-se então para a produção do longa-metragem. As primeiras filmagens ocorreram ainda em 1998 e, no ano seguinte, com o apoio do Itaú Cultural e do Jan Vridjman Fund, fundação ligada ao maior festival de documentários do mundo, o IDFA, elas puderam ser intensificadas.
A repercussão da série Som da Rua, bem como do curta A Pessoa é para o que nasce, fez com que a música da três irmãs cegas de Campina Grande chegasse aos ouvidos de Nana Vasconcelos e Gilberto Gil, curadores do Percpan. Foram convidadas para participar do festival como "artistas profissionais", recebendo cachês pelas três apresentações que fizessem, em Salvador e São Paulo, em meio a diversas atrações nacionais e internacionais. Diante de tal reviravolta na vida de nossas personagens, decidiu-se interromper a edição e filmar estas apresentações. Depois de mais de um ano sem vê-las, registramos a primeira, e até hoje única turnê das "Ceguinhas de Campina Grande", como foram chamadas pela imprensa.
- As duas últimas sessões de filmagem aconteceram em 2002 e 2003, visando apreender que transformações esta efêmera celebridade teria produzido em suas vidas. Foram feitas, em sua maioria, com equipamento doméstico, pelo próprio diretor, praticamente sem qualquer assistência. Indicam assim, a nosso ver, aquilo que é a essência da atividade do documentarista: o registro, sempre arriscado, de uma expedição tripulada em direção ao outro.

- A versão em curta-metragem é de 1998, tem duração de 6 minutos. Sendo eleito o Melhor Filme - Festival do Rio 1999. O curta-metragem cuidadosamente foi transformado em longa durante três anos.

- O filme participou duas vezes do Festival do Rio, primeiro em 1999, como curta-metragem, e em 2004, na versão de longa.

- Mostra Premiere Brazil - Moma, Nova Iorque, de 23 a 29 de Junho 2004, Mostra Não Competitiva

- Filme de abertura do Festival É tudo verdade, Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil, março 2004

- Exibição Hors-concours no IDFA- Festival, Internacional de documentário de Amsterdam, Holanda, novembro 2003.

- Selecionado no Festival Internacional do Rio na Premiere Brasil, Documentário, 2004

- Nascidas numa família de camponeses sem terra, passaram a infância perambulando pelas cidades do Nordeste do Brasil, seguindo os passos do pai alcólotra que alugava-se como mão-de-obra temporária para os proprietários de terra da região. Para complementar a renda, a mãe dedicava-se ao artesanato e elas aprenderam a cantar nas feiras e nas portas das igrejas em troca de esmolas.
Após a morte do pai, a cantoria tornou-se a principal fonte de renda de uma família numerosa, e que não parava de crescer. Houve um momento em que as ceguinhas sustentavam, com seus míseros ganhos, 14 pessoas, entre irmãos e irmãs, um deles adotado, sobrinhos, a mãe e seu novo marido.
Maria Barbosa, a mais habiliadosa e autônoma das três irmãs, foi a única que casou. E por duas vezes, ambas com deficientes visuais, tendo ficado duas vezes viúva. O primeiro marido foi Manuel Traquiline, violeiro e cantador, que passou a apresentar-se com elas nas feiras. Tiveram uma filha, Maria Dalva, que nasceu em 1989. Após o nascimento da filha, Maria foi viver com o marido em Natal, no Rio Grande do Norte. Foi o único período de suas vidas em que as irmãs estiveram separadas. Quando a filha já tinha completado cinco anos, Manuel morreu e Maria voltou para junto de suas irmãs, em Campina Grande. Lá conheceu Silvestre, o grande amor de sua vida com quem viveu dois anos, até o marido ser assassinado a facadas.
Quando a equipe da Tv Zero entrou em contato com As Três Ceguinhas pela primeira vez, em 1997, elas viviam praticamente sós, em uma pequena casa numa vila em Campina Grande, na Paraíba. A mãe delas tinha morrido há cerca de seis meses e Silvestre estava morto há menos de quatro. A filha de Maria estava em poder de umas tias distantes que se recusavam a devolver a filha para a mãe. O que aconteceu deste momento em diante está no filme.

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