Peões

Documentário
sobre a história pessoal de trabalhadores da indústria
metalúrgica do ABC paulista que tomaram parte no movimento
grevista de 1979 e 1980, mas permaneceram em relativo anonimato.
Eles falam de suas origens, de sua participação
no movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde
então. Exibem souvenirs das greves, recordam os sofrimentos
e recompensas do trabalho nas fábricas, comentam o
efeito da militância política no âmbito
familiar, dão sua visão pessoal de Lula e dos
rumos do país. O filme foi rodado no período
final da campanha presidencial de 2002.
Ficha Técnica
Título Original: Peões
Gênero: Documentário
Duração:
Lançamento (Brasil): 2004
Distribuição: Lumiere
Direção: Eduardo Coutinho
Assistente de direção: Cristiana Grumbach
Produção executiva: Mauricio Andrade
Ramos e João Moreira Salles
Direção de produção: Beth
Formaggini
Co-produção: Videofilmes
Direção de fotografia: Jacques Cheuiche,
ABC
Câmera: Jacques Cheuiche, ABC
Som: Márcio Câmara
Edição de som: Denilson Campos
Mixagem: Denilson Campos
Montagem: Jordana Berg
Finalização de imagem: Flávio
Nunes
Pesquisa de personagens: Antônio Venâncio,
Cláudia Mesquita, Cristiana Grumbach, Daniel Coutinho
e Leandro Saraiva
Coordenação de lançamento: Alexandra
Maia
Assessoria de imprensa: Anna Luiza Muller, Margarida
Oliveira e Carol Moraes
Pressbook: Carlos Alberto Mattos
Elenco
Maria Socorro Morais Alves
Miguel Gonçalves da Silveira
José Alves Bezerra
Zacarias Feitosa de Morais
José Gonçalo Araripe (Zé Pretinho)
Raimundo Bitu de Brito
Joaquim de Souza Lima
Duvílio Vincentini Filho (Sarrafo)
Juno Rodrigues Silva (Gijo)
Fidelcino Francisco Ramos
José Rodrigues Damasceno
Manoel Anísio Gomes
Rubem Teodoro de Arruda
João Batista de Souza (Boca Rica)
Osmar Mendonça
Avestil C. Neto
Djalma Bom
João de Oliveira da Silva (João Chapéu)
Luíza de Souza da Silva
Lenice Bezerra da Silva Azevedo (Nice)
Antônio José dos Santos
George Santos
Raimundo Nonato Bitu
Luíza Felipe de Lima Bitu
Henok Batista
Januário Fernandes da Silva
Maria José de Oliveira Xavier (Tê)
Luíza Maria de Farias (Tia)
Conceição Maria da Silva
Antônio Ferrasoli
Maria Angélica Ferrasoli
Maria Elicélia Feitosa da Silva (Zélia)
Maria Elza Lorenço de Souza
Miguel Pereira dos Santos
Geraldo Aniceto de Souza
Pôsters
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Premiações
-
Curiosidades
- Em 1979 e 1980, os operários da indústria
metalúrgica do ABC paulista protagonizaram um movimento
grevista que mudou a face do sindicalismo brasileiro, forneceu
as bases para a criação do Partido dos Trabalhadores
e fez emergir no cenário nacional a figura do líder
operário Luís Inácio Lula da Silva. Peões
é um documentário de longa metragem sobre a
história pessoal de 21 trabalhadores que tomaram parte
nos acontecimentos daquele período mas permaneceram
em relativo anonimato.
- Para chegar a essas pessoas, o documentarista Eduardo Coutinho
conduziu uma pesquisa a partir de fotografias e filmes da
época, em busca de indivíduos que aparecessem
naquelas imagens, mas não tivessem ascendido na burocracia
sindical nem se tornando políticos conhecidos. Conversou
com quase 50 pessoas, das quais 21 aparecem no filme. Elas
falam de suas origens, de sua participação no
movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde então.
Exibem souvenirs das greves, recordam os sofrimentos e recompensas
do trabalho nas fábricas, comentam sobre o efeito da
militância política no âmbito familiar,
dão sua visão pessoal de Lula e dos rumos do
país.
- As filmagens se deram entre 28 de setembro e 27 de outubro
de 2002, ou seja, entre as vésperas do primeiro turno
das eleições presidenciais e o dia exato do
segundo turno, quando Lula elegeu-se chefe da nação.
Coutinho conversou com metalúrgicos, ex-metalúrgicos
e alguns de seus familiares na região do ABC, além
de cinco operárias e operárias que haviam retornado
à cidade natal de Várzea Alegre, no Ceará.
- A intenção não era fazer um filme sobre
a história das greves, mas recolher a autobiografia
de gente comum que, de preferência, tivesse sido registrada
em fotos, reportagens e filmes. Peões não trata,
portanto, de dirigentes sindicais nem de políticos
profissionais, mas de operários cuja militância
no movimento foi uma questão de puro engajamento pessoal.
- São eles, por ordem de entrada em cena:
Socorro, ex-metalúrgica do ABC que agora é dona
de casa em Várzea Alegre (CE);
Bezerra, cearense que precisou ir a São Paulo para
aprender a votar sem cabresto;
Zacarias, imigrante que relembra o frio paulista e compara
as lutas operárias com "uma guerra";
Zé Pretinho, que garante saber governar o país,
que dirá Lula;
Joaquim, cearense que diz não trocar São Bernardo
por nada;
Avestil, interessado em ensinar ao diretor que uma história
afastada no tempo é bem melhor para se contar;
Djalma, que mostra um dos lugares de onde Lula comandava os
célebres comícios de São Bernardo do
Campo;
João Chapéu, que fala do orgulho do seu filho
pelas peças que o pai fabricava;
Nice, uma mãe dividida entre o brio da militância
e a mágoa por não ter dado a devida atenção
aos filhos;
Antonio e seu filho George, cujos corpos exibem marcas de
acidentes de trabalho, motivo de orgulho e ao mesmo tempo
de constrangimento;
Bitu, ex-piqueteiro que apanhava da polícia nas portas
das fábricas;
Henok, que se lançou à caça de um espião
que havia dedurado Lula;
Januário, fotógrafo das greves que confiava
no seu olhar "de dentro" do movimento;
Tê, que compara a greve a um parto por causa dos meses
de gestação;
Luíza, paraibana que gostava de briga e dirige a muitos
anos a lanchonete do sindicato;
Conceição, tão absorvida pelo trabalho
na linha de montagem que chegava a repetir os movimentos enquanto
dormia;
Antonio, velho "coração solitário"
que fazia greves porque foi "tomando o gostinho";
Zélia, servente do sindicato que enfiava a Tribuna
Metalúrgica dentro da roupa para distribuir clandestinamente;
Elza, que reconhece a si e aos companheiros numa frase específica
do Hino Nacional;
Miguel, que saiu da fábrica para realizar o sonho de
pilotar um salão de forró;
Geraldo, soldador desencantado com a situação
atual e que não deseja para os seus filhos um futuro
de peões de fábrica.
- Peões é lançado simultaneamente com
Entreatos, documentário de João Moreira Salles
sobre os bastidores da campanha de Lula em 2002. Rodados no
mesmo período de aproximadamente 30 dias, os dois filmes
dialogam e se enriquecem mutuamente. São como duas
faces de uma realidade social que pode ter mudado muito nos
últimos 25 anos, mas gerou um processo político
que atingiu seu ponto culminante em outubro de 2002.