Nina

Ambientado
na São Paulo de hoje, o filme narra a história
de Nina, jovem pobre, que procura atabalhoadamente um meio
de sobrevivência na sociedade desumana de hoje e só
esbarra em adversidades. Mora num quarto alugado. A senhoria
Eulália, velha decrépita e reencarnação
da velha usurária morta por Raskólnikov em Crime
e Castigo, humilha Nina a todo instante, viola sua correspondência,
confisca-lhe um dinheiro que a mãe lhe enviara, tranca
a geladeira a cadeado para impedir-lhe o acesso aos alimentos
ali guardados, cada um com a etiqueta "Eulália",
símbolo do poder de compra e do direito ao consumo
e à humilhação do semelhante.
Ficha Técnica
Título Original: Nina
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 85 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 2004
Distribuição:
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Marçal Aquino e Heitor Dhalia
Produção executiva: Caio Gullane e Fabiano
Gullane
Direção de produção: André
Montenegro
Pós-produção: Andre Ristum
Coordenação executiva: Sônia Hamburger
e Egle Tubelis
Música: Antonio Pinto
Desenho de Som: Alessandro Laroca e Armando Torres Jr.
Som direto: Romeu Quinto
Fotografia: José Roberto Eliezer, Abc
Still: Alexandre Ermel
Direção de Arte: Akira Goto e Guta Carvalho
Figurino: Juliana Prysthon e Veronica Julian
Edição: Estevan Santos
Desenhos: Lourenço Mutarelli
Animações: Lobo
Story Board: Edevilson Guilherme
Maquiagem: Gabi Moraes
Casting: Chico Accioly
Supervisão de dramaturgia: Christiane Riera
Pôsters
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Premiações
-
Curiosidades
- Nina marca a estréia de Caio Gullane e Fabiano Gullane
como produtores solo, depois de mais de dez anos de experiência
como diretores de produção, produtores executivos
e co-produtores de importantes filmes
brasileiros.
- Escritor e autor de quadrinhos, o paulista Lourenço
Mutarelli é responsável pelos desenhos feitos
por Nina, que ilustram as animações que pontuam
o filme.
- Estreantes, Akira Goto e Guta Carvalho assinam juntos a
concepção artística de Nina.
- Todo o material usado na construção dos cenários
foi adquirido em demolição. Com isso, obteve-se
a sensação de gastura, de passagem do tempo,
de um clima decadente próprio da velha usurária
Eulália. Ambientes amplos, pé direito alto,
corredores largos, escadas em caracol, cores dessaturadas,
luzes esmaecidas. Todos esses elementos indicam o estado de
opressão constante em que vive Nina.
- Parceiro de Heitor Dhalia desde o curta-metragem Conceição,
José Roberto Eliezer, foi uma escolha quase natural
para a função em Nina. Zé Bob, como é
conhecido no meio, começou carreira como assistente
e estreou na direção de fotografia de longa-metragem
com o Filme Demência (1986), de Carlos Reichenbach.
Outros créditos de Zé Bob como fotógrafo
incluem Cidade Oculta (1986), de Chico Botelho; Anjos da Noite
(1988), de Wilson Barros; A Dama do Cine Shanghai (1988),
de Guilherme de Almeida Prado, e A Grande Arte (1992), de
Walter Salles.
- Jornalista por formação, Marçal Aquino
começou carreira como repórter e redator, antes
de se dedicar à literatura e ao cinema. Publicou, entre
outros livros, "O Amor E Outros Objetos Pontiagudos",
pelo qual recebeu o prêmio Jabuti. Em parceria com Beto
Brant, atuou como roteirista dos filmes Os Matadores, Ação
Entre Amigos e O Invasor. Com Heitor Dhalia, desenvolveu o
roteiro de Nina.
- Nascido no Recife, em Pernambuco, Heitor Dhalia mudou-se
para São Paulo em 1993, onde mora até hoje.
Redator publicitário, trabalhou nas principais agências
de propaganda brasileiras, tendo criado e produzido mais de
cem filmes. Estréia no cinema em 1999, primeiro como
assistente de Aluízio Abranches no longa-metragem Um
Copo De Cólera, depois como roteirista de As Três
Marias e como diretor do curta Conceição. Nina
é sua estréia na direção de longas.
- Foi apresentado no International Film Festival Rotterdam,
em 28 de janeiro de 2004.
- Sinopse completa:
Ambientado na São Paulo de hoje, o filme narra a história
de Nina, jovem pobre, que procura atabalhoadamente um meio
de sobrevivência na sociedade desumana de hoje e só
esbarra em adversidades. Mora num quarto alugado. A senhoria
Eulália, velha decrépita e reencarnação
da velha usurária morta por Raskólnikov em Crime
e Castigo, humilha Nina a todo instante, viola sua correspondência,
confisca-lhe um dinheiro que a mãe lhe enviara, tranca
a geladeira a cadeado para impedir-lhe o acesso aos alimentos
ali guardados, cada um com a etiqueta "Eulália",
símbolo do poder de compra e do direito ao consumo
e à humilhação do semelhante.
Mas Nina tem reservas éticas e humanas, é sensível
à humilhação do seu semelhante. Recusa
o dinheiro "fácil" da prostituição,
dá o único que tem a um taxista que espancava
uma mulher que não lhe pagara a corrida, e aí
ela repete a atitude de Raskólnikov, que deixa na janela
do velho Marmieládov os últimos centavos que
possuía para saciar a fome das crianças.Cresce
o choque com Eulália e o mundo ao redor, intensifica-se
a tensão, o mundo interior de Nina vai se desintegrando,
em sua mente cruzam-se os episódios mais chocantes
de Crime e castigo e fantasmas da sua própria infância.
A tensão chega ao clímax quando Eulália
resolve despejá-la e lhe apresenta o futuro inquilino
para o seu quarto. Desesperada, Nina mata Eulália.
Isso acelera a desintegração do seu psiquismo;
começam as alucinações auditivas, depois
as visuais, um homem lhe aponta a bengala como que lhe imputando
o crime, como o estranho o fez com Raskólnikov. Realidade
e fantasmagoria se cruzam, o mundo interior de Nina se desintegra
de vez.