Mensageiras
da Luz, Parteiras da Amazônia

Mensageiras
da Luz-Parteiras da,Amazônia é um documentário
em 35 mm que focaliza a vida das parteiras tradicionais do
Estado do Amapá. Pesquisa recente revela que 918 parteiras
atuam na região, que tem a maior ocorrência de
partos normais do Brasil (88%). O índice médio
de cesarianas é 12%, abaixo da marca de 15% apontada
como aceitável pela Organização Mundial
de Saúde (DM5).
Ficha Técnica
Título Original: Mensageiras da Luz, Parteiras da
Amazônia
Gênero: Documentário
Duração: 72 min.
Lançamento (Brasil): 2004
Direção: Evaldo
Mocarzel
Roteiro: Evaldo Mocarzel
Produtor: Ugo Giorgetti
Produção Executiva: Malu Oliveira
Diretor de Produção: Afonso Coaracy
Diretor de Fotografia: Paulo Jacinto dos Reis (Feijão),
ABC
Câmera: Paulo Jacinto dos Reis (Feijão),
ABC
Imagens adicionais: Bruce Douglas e Gavin Andrews
Segunda câmara: Tiago Tambelli
Still: Tiago Tambelli
Montagem: Marcelo Moraes
Edição de Som: Ana Chianini e Simone
Alves
Assistente de Edição de Som: Marcelino
Braz Moura
Técnico de Som: Miquéias Motta
Microfonista: Megaron Mota
Eletricista: Alexandre Henrique da Silva
Maquinista: Alexandre Henrique da Silva
Produção e locações/Amapá:
Artionka Capiberibe
Assistente de Produção / São Paulo:
Marco Antonio Paraná
Produtora Associada: Casa Azul Produções
Artísticas
Assistente de Produção / Amapá:
Luisa Jucá Puget
Pós-Produção: Roberto Rais e Agson
Alesandre
Supervisão de Edição de Som: Minam
Biderman e Ricardo Reis
Secretária de Produção: Suely
Cordero
Recepcionista: Rosiane Cristina
Design de Folder: BVDA/Brasil Verde
Cartaz: BVDA/Brasil Verde
Elenco
Parteiras
Rossilda Joaquina da Silva
Maria Zuleide da Conceição Silva
Marilene Pinto da Costa
Oscarina Barbosa Vilhena
Maria Trindade dos Santos Rocha
Maria dos Santos
Maria Alexandrina dos Santos
Jovelina Costa dos Santos
Trindade dos Santos Sarmento
Maria Teresa Sousa Bordalo
Erika do Socorro Silva Ribeiro
Francisca das Neves Guedes
Maria Pereira da Costa.
Agradecimentos Parteiras e Parturietes
Deolinda Barbosa Maciel
Dulcila de Souza Martins
Darcirene Vilhena
Dolores Silva Ribeiro
Domingas Nazaré Sarges
Cecília Cardoso Farias
Josefa dos Santos Lucila Rosa dos Santos
Leonice Neves de Brito
Maria do Céu Gonçalves
Maria Nair Cordeiro
Maria Davina Iaparrá
Maria Henriqueta Nunes
Maria Labonté
Maria Rosalina dos Santos
Maria Narciso Gomes
Maria Cecília Fortes
Maria Oneide Fortes
Maria Terezinha Cordeiro Valeriano
Ivone Iaparrá
Helena Maria Cardozo Dantas Silmara Sarges da Silva
Terezita Mira Barbosa
Raimunda Barbosa Deisivani Costa Santana
Maria Cleia dos Santos
Rosilene Martins Souza
Lidanira dos Santos Hipólito
Sinamar dos Reis Silva
Pôsters
Clique nos cartazes para vê-los ampliados em uma nova janela.
Premiações
- A versão curta-metragem de Mensageiras da Luz - Parteiras
da Amazônia recebeu o prêmio Melhor Curta-metragem
Brasileiro - Prêmio da Associação Curta
Minas no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte,
2004.
Curiosidades
- Além da exibição em festivais nacionais
e internacionais, Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia
também será veiculado em emissoras de televisão
e ainda será projetado em encontros nacionais e internacionais
das parteiras.
- O documentário tem duas versões: uma curta,
com 15 minutos, e outra longa, com 72 minutos.
- Evaldo Mocarzel finalizou em 2003 a versão em longa-metragem
de Á Margem da Imagem, com patrocínio da Petrobrás
Distribuidora. O longa ganhou o Kikito de Melhor Documentário
no 31 Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino e o Prêmio
de Melhor Documentário no Festival do Rio 2003.
- Agradecimentos Especiais: João Alberto Capiberibe e
Janete Capiberibe.
Rui Xavier e Leila Reis, Virgilio Carvalho, Dr. Nelson Nicolini
e Leticia Santos.
- Sinopse completa:
Mensageiras da Luz-Parteiras da,Amazônia é um documentário
em 35 mm que focaliza a vida das parteiras tradicionais do Estado
do Amapá. Pesquisa recente revela que 918 parteiras atuam
na região, que tem a maior ocorrência de partos
normais do Brasil (88%). O índice médio de cesarianas
é 12%, abaixo da marca de 15% apontada como aceitável
pela Organização Mundial de Saúde (DM5).
O Amapá tem cerca de 600 mil habitantes, um território
de 144 mil quilômetros quadrados e uma das mais baixas
densidades demográficas do País: 2 habitantes
por quilômetro quadrado. O Estado tem apenas 16 municípios
e não dispõe de hospitais suficientes para atender
à população. Utilizando técnicas
indígenas milenares, as parteiras ajudam no nascimento
de bebês por todo o Estado, atravessando as grandes distâncias
que dificultam o acesso entre as comunidades espalhadas pela
selva amazônica, alagados e cerrados. E depois cumprem
outra importante função social: são elas
que fazem o cadastro de nascimentos nos povoados.
Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia enfoca a missão
dessas mulheres que são donas-de-casa, pescadoras, agricultoras
e extrativistas de castanha, e deixam seus lares para auxiliar
as parturientes a dar à luz, sempre permanecendo com
elas mais sete dias depois do nascimento. Recebem como pagamento
um pouco de milho ou outro cereal, uma galinha caipira ou até
mesmo uma pequena quantia que pode variar de R$ 10 a R$ 40.
Mas muitas se recusam a receber qualquer tipo de pagamento,
pois acreditam terem sido escolhidas por Deus para a arte de
"puxar barriga" e "pegar menino".
O documentário entrevista mulheres de comunidades indígenas
do Oiapoque, no norte do Estado, em povoados caboclos, também
na comunidade negra de Curiaú, antigo quilombo na periferia
de Macapá, e ainda no arquipélago de Bailiki,
na foz do rio Amazonas. Como são as técnicas tradicionais
de cada uma dessas comunidades? Como são as rezas, preces,
simpatias e cantorias religiosas? Quais medicamentos, ervas
e ungüentos são utilizados nessas regiões
e em outros povoados do Amapá?
O filme focaliza temas como miscigenação, religiosidade,
ecologia, técnicas de parto e, principalmente, a sabedoria
dessas mulheres, em sua maioria analfabetas, que adquiriram
um conhecimento muito especial da vida e da morte, depois de
participar do nascimento de centenas de crianças, entre
elas, os próprios netos e netas.
- Roteiro:
Primeiro bloco Quem são as parteiras? Onde aprenderam
suas técnicas? Onde vivem? Como sobrevivem? Quais são
suas outras atividades? O documentário mostra como é
a vida das parteiras indígenas, caboclas e das parteiras
negras do Estado do Amapá. Diferenças culturais,
lingüísticas; diferentes técnicas e orações
na hora do parto.
Segundo bloco Oiapoque. Esta região engloba 118 parteiras,
a grande maioria indígena, vivendo em povoados separados
por grandes distâncias. Muitas aldeias falam patuá,
um dialeto que é uma espécie de francês
arcaico. A região fica bem perto da Guiana Francesa.
Como vivem essas comunidades? Como é o contato com as
áreas urbanas e como são essas técnicas
milenares de parto dos indígenas? Na cidade de Oiapoque
acaba de ser construída a primeira casa do parto do Amapá,
com uma arquitetura que sugere uma mulher dando à luz.
Terceiro bloco Macapá e outras cidades não tão
distantes da capital do Estado. Na cidade de Macapá,
vivem 223 parteiras, sendo 105 na área urbana, em sua
maioria negras e caboclas. Em Macapá, são realizados
encontros e cursos para parteiras, visando à melhoria
da qualidade de vida, o ensino de técnicas de assepsia
e treinamento com barro para mostrar como puxar uma barriga!!
e também como posicionar o bebê na hora do parto.
Atualmente são distribuídos para as parteiras
kits contendo o seguinte: panela de pressão (esterilizador),
luvas, gaze, mercúrio, estetoscópio, fita métrica,
balança, tesoura, sombrinha, capa de chuva, escovinha
de unha, sabonete ou sabão de coco, álcool iodado,
lanterna e colírio argirol para abrir os olhos do bebê.
Quarto bloco Os preconceitos. Durante muitas décadas,
as parteiras foram vítimas de preconceitos e tinham medo
de ser presas por exercício ilegal da profissão.
Em sua maioria religiosas, muitas eram consideradas bruxas e
feiticeiras. Como as parteiras conseguiram sair do anonimato
e da clandestinidade, hoje revelando com orgulho a profissão
de parteira?
Quinto bloco A religiosidade. O trabalho de uma parteira envolve
cantorias indígenas, rezas, preces e orações
para várias entidades religiosas, como São Bartolomeu.
Focalizamos o misticismo dessas mulheres que, em sua maioria,
acreditam ter recebido uma missão de Deus.
Sexto bloco Ervas e medicamentos. Quais remédios caseiros,
chás calmantes, chás estimuladores de contrações,
óleos e ungüentos são utilizados pelas parteiras?
Elas fazem massagens com ungüentos à base de gordura
de animais e óleos vegetais. Dão chás e
banhos com ervas nas parturientes. Usam lascas de bambu e fibras
para cortar o umbigo do bebê. Conhecem ervas que ajudam
a descolar a placenta. Usam óleo de andiroba, cânfora,
copaíba, casca de barbatimão, verônica,
folhas de hortelã do maranhão, mastruz, mel, chá
de chicória com cominho (para aumentar as contrações)
e chá de sete grelos do ingá (contra hemorragias),
feito à base de uma árvore da várzea, fervida
com sal. Como é a relação das parteiras
com a flora e a ecologia dos alagados, cerrados e floresta amazônica?
Sétimo bloco O parto. Filmamos dois partos, em regiões
próximas à Macapá.
Oitavo bloco Depois do parto. As parteiras passam obrigatoriamente
sete dias na casa da mulher que acaba de dar à luz. Lavam
fraldas, preparam refeições leves, fazem massagens
para que a barriga da parturiente volte ao lugar. Ensinam a
não comer comida que prejudica a saúde da mãe
e do bebê, como jacaré ou capivara. Orientam a
comer coisas mais leves como galinha com caribé, que
é uma farinha coada com água, sal, manteiga e
alho. Os cuidados e a dedicação da parteira até
que a mãe se restabeleça para enfrentar novamente
os afazeres domésticos.
Nono bloco A imagem. Os povoados do Amapá, embora paupérrimos,
trazem em sua maioria incontáveis antenas parabólicas
ao lado de casebres de madeira com um único cômodo
para toda a família. Até mesmo nas aldeias indígenas.
Como é a relação das parteiras e das comunidades
com o poder da imagem no mundo globalizado em que vivemos? Como
as parteiras vêem a própria imagem? Entrevistamos
as parteiras e depois fizemos uma nova entrevista com elas,
diante da própria imagem num monitor. Como gostariam
que suas imagens fossem inseridas neste documentário?
O que é a câmara para elas? O que a câmera
provoca nelas? Como vêem e decodificam a profusão
de imagens que passa por suas antenas parabólicas nos
locais mais afastados da floresta amazônica?