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Garotas do ABC: Aurélia Schwarzenega

No ABC de São Paulo, região de fábricas têxteis e metalúrgicas, um grupo de operárias vive seu cotidiano de intenso trabalho, sonhos e ilusões. Entre elas, destaca-se Aurélia, operária negra, bela e atrevida, que adora homens fortes e musculosos. Ela namora Fábio, jovem enturmado em um grupo neonazista, liderado pelo jovem advogado Salesiano de Carvalho.

Ficha Técnica

Título Original: Garotas do ABC: Aurélia Schwarzenega
Gênero: Drama
Duração: 124min
Lançamento (Brasil): 2003
Distribuição: Riofilme
Direção: Carlos Reichenbach
Roteiro: Carlos Reichenbach
Colaboração no Roteiro: Fernando Bonassi
Produção: Sara Silveira
Produção executiva: Maria Ionescu
Produtores Associados: Loc'all de Cinema e Televisão e Selton Mello
Apoio: Tv Cultura, Fundação Padre Anchieta, Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura do Rio de Janeiro, Prefeitura de São Bernardo do Campo e Rio Filmes
Direção de Produção: Eliane Bandeira e Rui Pires
Trilha Sonora e Arranjos: Nelson Ayres
Música: Nelson Ayres, Zé Ricardo, Macau, Marcos Levy, Carlos Reichenbach, Richard Wagner e Paulo Vanzolini
Som Direto: Romeu Quinto
Edição de Som: João Godoy e Eduardo Santos Mendes
Mixagem: José Luiz Sasso
Fotografia: Jacob Sarmento Solitrenick
Operadores de Câmara: Rodrigo Toledo e Jacob Sarmento Solitrenick
Desenho de Produção: Valdy Lopes Ferreira
Direção de Arte: Luis Rossi
Figurino: Carolina Li
Edição: Cristina Amaral
Produtora de Elenco: Vivian Golombek

Elenco

Fernando Pavão (Fernando Tavares)
Ênio Gonçalves (Nélson Torres)
Selton Mello (Salesiano de Carvalho)
Antônio Pitanga (Aurélio)
Michelle Valle (Aurélia)
Vanessa Alves (Antuérpia)
Natália Lorda (Paula Nélson)
Luciele Di Camargo
Vanessa Goulart (Marcinha)
Fernanda Carvalho Leite (Lucineide)
Rocco Pitanga (Adílson)
Dionísio Neto (André Luiz Oliveira)
Eduardo Sofiatti (Nicanor)
Milhem Cortaz (Alemão)
Fabio Ferreira Dias (Ruggero)
Adriano Stuart (Dr. Oswaldo Sampaio)
Vera Mancini (Sofia)
Ângela Corrêa (Tia Tereza)
Márcia de Oliveira (Nelinha)
Viviane Porto (Indalércia)
Lina Agifu (Kinuyo)
Kelly di Bertolli (Nair)
Ana Cecília Costa (Carmo)
Mariana Loureiro (Natália)
Neide de Deus (D. Avelina)
Fafá de Belém (Solange)
Alessandro Azevedo (Maleita)
Paulo Bordhin (Fineza)
Carlos Reichenbach
Antônio Pitanga
Zé Ricardo
Marcelo Bortotto
Michelle Valle
Fernando Pavão
Alê Pinezzi
Vanessa Teixeira
Daniella Prestys
Mariana Rubino
Carolina Rodriguez
Helena Andrade
Vanda Aparecida
Jacqueline Cristina
Vivian Bizarro
Francisco Angelo Belluci
Francisco Ceará
Madison Schindler
Da Lapa
Ademir Oliveira Gandini
Adilse Marques Batista
Celso "Not Dead" Camargo
Robson Gilson Gomes (Pirulito)
Albenis Alves Do Amaral
Tata Amaral
Bruno De André
Sandrinho Lima
Daniel Amorin
Thiago Amorim
Ully Costa
Dudu Marques
Jorge Ailton
Cláudio Costa
Maurício Piassarollo
Cezinha

Pôsters

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Premiações

- Prêmios de Ator coadjuvante (R$ 5 mil): Ênio Gonçalves, Atriz coadjuvante (R$ 5 mil): Vera Mancini e Prêmio especial do júri para o argumento de Garotas do ABC, no 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 2003.

Curiosidades

- Teve o Título inicial de Aurélia Schwarzenega

- A primeira versão do argumento foi mostrada em Roterdã, Holanda, em 1987.

- Garotas do ABC é o décimo-terceiro longa-metragem de Carlos Reichenbach, chega aos cinemas depois de calorosa recepção nos festivais de Brasília, Tiradentes e pré-estréias abertas ao público.

- O filme se passa no ABC paulista, região operária, território de fábricas têxteis e metalúrgicas, de gente trabalhadora e de desempregados. E também de jovens (carecas, neonazistas, racistas) reunidos em gangues que odeiam negros, nordestinos e homossexuais. A imprensa sócio-policial brasileira registrou, um tempo após as filmagens, trágico fato protagonizado por integrantes destas gangues: eles obrigaram dois jovens a pular de um trem em movimento. Um perdeu um braço. O outro, a vida.

- Garotas do ABC é o aperfeiçoamento de um antigo projeto de produção: Sonhos de Vida e Vida de Sonhos. Seriam dois filmes a serem realizados simultaneamente, com os mesmos personagens e locações, incluindo um clube operário e uma indústria têxtil da região do ABC de São Paulo. Sonhos de Vida seria um filme sobre o trabalho, enquanto Vida de Sonhos falaria do tempo livre como o verdadeiro espaço de liberdade e valorização do ser humano.
Na sua gênese, o intuito desse projeto era dar seqüência ao mergulho pessoal de Carlos Reichenbach imaginário a respeito do universo feminino submetido a brutalização social da periferia de São Paulo; tema que já aparecia esboçado em filmes como Lilian M., Relatório Confidencial (1974), Amor Palavra Prostituta (1980), e melhor desenvolvido em Anjos do Arrabalde (1987).O primeiro esboço dos dois filmes surgiu em 1987

- Chegou a pensar na realização de seis filmes de longa-metragem com cenários e personagens se revezando de um para outro. Seis filmes de gêneros diferentes, seis visões originais da realidade brasileira, seis crônicas urbanas, passíveis de serem posteriormente editadas no formato de série de 13 capítulos para a televisão. Esse projeto atrevido recebeu o nome de ABC - Clube Democrático (Garotas do ABC).

- Vários outros personagens masculinos trafegariam por todos os filmes: o velho jornalista Nélson Torres (uma espécie de coringa do projeto), o delegado new-age Oswaldo Sampaio, o sindicalista safo André Luiz Oliveira, a advogada trabalhista Dra. Andréia Tonacci, o simpatizante anarquista e dono do último cinema de Diadema, Paulo Emílio Sales, o pintor naif furioso e esclerosado Gonçalo Pesqueira, o corrupto advogado Ivangilson Vargas, o industrial têxtil que está saindo da concordata Dr. Mazini, o metalúrgico romântico e órfico Inácio Araújo, o ídolo musical Bruno de André, a rigorosa supervisora de seção Maria do Carmo, o incendiário Antero (pai de Lucineide), o cineasta participante Éder Mazini, o militar e irmão de Aurélia (Adílson-Didão), a alcoólatra e feiticeira Sofia, o justiceiro Maleita, a neófita e cruel jovem empresária Berenice Mazini, e, entre outros, Linda, a mulher mais linda do país. Quem for ver Garotas do ABC vai reconhecer vários destes personagens.

- Em 1995, foi contemplado com a Bolsa Vitae de Artes para escrever quatro dos roteiros da série, em 14 meses. Em janeiro de 1997, entreguei os quatro roteiros - em seu primeiro tratamento: Aurélia Schwarzenêga, Anjo Frágil Antuérpia, Lucineide Falsa Loura e A Fiel Operária Suzy Di.

- Durante o período que esboçou os quatro roteiros percorreu todos os cenários que tinha em mente, conversando com operárias, policiais, ocupantes de terrenos irregulares, sindicalistas, advogados trabalhistas, etc.

- A mais produtiva fonte foi andar muito de ônibus, a maioria dos diálogos entre as personagens femininas dos seis filmes são reproduções “retrabalhadas” do que ele ouviu nessas errâncias.

- Depois que resolverem centrar esforços para filmar o "piloto" da série, Aurélia Schwarzenega, Carlos Reichenbach e a produtora Sara Silveira, levaram cinco anos para captar o dinheiro para produzi-lo.

- O primeiro corte definitivo de Aurélia Schwarzenega, o filme ficou com quase três horas. Mandaram três fitas de vídeo para a Europa e consultamos dois produtores estrangeiros, amigos. Nenhum deles queria ficar com um filme de três horas. Pior, na opinião deles quem "roubava" o filme eram os personagens masculinos, em especial, os ignóbeis neonazistas.

- Após uma longa conversa com a montadora Cristina Amaral, decidiu-se cortar as cenas dos neonazistas pela metade e diminuir o peso das costas da protagonista Aurélia. De certa maneira, depois destes cortes o filme retomou as características de seu projeto original Sonhos de Vida e Vida de Sonhos.

- O elenco deste filme foi escolhido depois de vários testes. No início, o diretor pensou em convidar duas atrizes conhecidas para os papéis de Aurélia e Paula Nélson. Como levou cinco anos para captar recursos financeiros as atrizes já pareciam aquém da idade dos personagens imaginados. Na pré-produção, resolveu fugir definitivamente da identificação instantânea do público com as atrizes-tecelãs.

- Michelle Valle (Aurélia) fez mais de cinco testes diferentes e foi selecionada por um sorriso casual e espontâneo no segundo teste.

- Para interpretar Antuérpia, chamou a atriz que mais filmou com Carlos Reichenbach, Vanessa Alves, e que ganhou vários prêmios por seu papel em Anjos do Arrabalde. Na verdade, criou o personagem Antuérpia pensando desde o início (1987) na atriz.

- Vanessa Goulart (Marcinha Caolha) nasceu das palhaçadas que ela fazia nas filmagens de Dois Córregos, onde foi a protagonista, imitando a equipe inteira.

- Duas atrizes que testou e imaginou para Bens Confiscados, acabou convocando para Garotas do ABC: Márcia de Oliveira (Nelinha) e Fernanda Carvalho Leite (Suzana).

- Marvin Gaye (o falecido ídolo americano da musica soul) foi o caminho para entender o universo de sonhos, ambições profissionais e amores do grupo social que desejava retratar: a operária negra.

- Tentou-se, durante todo o período de pré-produção, comprar os direitos de dois sucessos do ídolo da gravadora Motown para incluir na trilha sonora. Sua editora e gravadora nos Estados Unidos não se dignou nem em estipular valores, sem responder a produtora executiva Maria Ionescu.

- Ouvindo casualmente um dos cds que acompanham a revista inglesa “Future Music”, Carlos Reichenbach ficou fascinado com o grupo inglês Subverse, usava timbres dos tradicionais órgãos Hammond (o mesmo timbre típico do anos 60, que tentou reproduzir em Alma Corsária). Ligou para o Nelson Ayres e pediu para ele inventar Sam Ray: "o papa do soul" e mago dos órgãos Hammond. Ayres chamou Marcos Levy, o Xuxa, o tecladista e arranjador de Paula Lima, apaixonado por Marvin Gaye, e ambos fizeram surgir o ídolo de Aurélia e de todas as operárias negras do ABC.

- Sam Ray só aparece em cartazes e capas de disco na casa de Aurélia e de suas colegas de fábrica. Suas feições são as do diretor de produção Rui Pires, fotografado de todos os ângulos possíveis ao lado de um belo teclado Hammond.

- Sam Ray é uma homenagem explícita a dois diretores, Samuel Fuller e Nicholas Ray.

- O maestro Nelson Ayres, no cinema, atuou nas trilhas de Dois Córregos (em parceria com Ivan Lins), Xangô de Baker Street (parceria com Edu Lobo) e compôs músicas de época para a trilha de A Hora Mágica. Fez, também, trilha para os documentário Anita Garibaldi (Paulo Markum) e Biodiversidade, da produtora GW agraciado com o Prêmio Natura.

- Relação das Músicas Executadas
Sam Ray "O Despertar" (Aurélia acorda nua e veste o uniforme)
Autores: Nelson Ayres e Marcos Levy
"Garotas do ABC" (Saída das operárias) Autor: Nelson Ayres
"Represa/Sexo" (Fábio despe Aurélia) Autor: Nelson Ayres
"Choro do Adeus" (Os Teares) Autor: Nelson Ayres
"Paula" (Paula Nelson e André Luiz) Autor: Nelson Ayres
Sam Ray "Strip-tease" (Aurélia e Fábio no depósito) Autor: Marcos Levy
"Asfalto" (Aurélia perdida nas Marginais) Autor: Nelson Ayres
"Sonho de Aurélia" (Aurélia imagina o pai no depósito) Autor: Nelson Ayres
"Pedreira" (Salesiano e Fábio na pedreira) Autor: Nelson Ayres
"Cicatrizes" (as cicatrizes de Suzana e Dr.Mazini) Autor: Nelson Ayres
Sam Ray "Disco Novo" (Aurélia ganha CD de Sam Ray) Autor: Nelson Ayres e Marcos Levy
"Volta por Cima" (pagode na feijoada) Autor: Paulo Vanzolini
TNT 5 "Eva Trol" - (Clube Democrático 1) Autor: Carlos Reichenbach (arranjo: Nelson Ayres)
TNT 5 "Catarina" - (Clube Democrático 2) Autor: Carlos Reichenbach (arranjo: Nelson Ayres)
TNT 5 e Fafá de Belém "Pecados de Amor" (apresentação de Solange - Fafá de Belém)
Autor: Nelson Ayres
Zé Ricardo e Banda "Com Ela" Autor: Zé Ricardo
Zé Ricardo e Banda "Swing Democrático" Autor: Zé Ricardo
Excertos da ópera "Rienzi" (cortejo com motos e Fábio abandonando Salesiano) Autor: Richard Wagner (arranjos de Alexandre Guerra e Nelson Ayres)
"Morrer Várias Vezes" (morte de Fábio no mar) Autor: Nelson Ayres
Fafá de Belém & Zé Ricardo "Olhos Coloridos" (créditos finais) Autor: Macau.

- Já que reproduzir uma antiga tecelagem em estúdio ficaria muito caro. A produção localizou a tradicional fábrica de cobertores Tognato, em São Bernardo, que estava desativada e que, por acaso, ficava há duas quadras da Vera Cruz.

- Tiveram que consertar algumas máquinas, pois muitas não funcionavam mais. O diretor de arte Luís Rossi e sua equipe construiram o mezanino onde a supervisora Carmo fiscaliza o galpão inteiro. Para minimizar a cor soturna do ambiente, Rossi deu preferência a tecidos azuis e amarelos manipulados pelos teares.

- No começo das filmagens da homenagem explícita a Glauber Rocha - a seqüência em que Maleita "executa" dois dos neonazistas - o ator Alessandro Azevedo mostrou a oração original com que Lampião "encomendava" as almas de seus desafetos.

- Cada remessa de material telecinado do que havia sido filmado dois dias antes, que recebia para conferência (hoje não se fazem mais copiões em 35mm, mas uma cópia em VHS das cenas rodadas), Carlos Reichenbach se surpreendia descobrindo referências explícitas a filmes como Dr. Mabuse- o Jogador, Vive-se Só Uma Vez, O Homem Que Quis Matar Hitler, Quando Descem As Trevas, Os Mil Olhos do Dr. Mabuse e, sobretudo, M. - o Vampiro de Dusseldorf, todos de Fritz Lang.

- Quando Ivan Lins, que iria fazer uma participação interpretando o Dr. Mazini, diretor da tecelagem, precisou fazer uma cirurgia odontológica, Carlos Reichenbach lembrou de Lang e resolveu entrar em cena apenas com as mãos e silhueta. Em todos os filmes de Fritz Lang tem um plano das mãos do genial diretor.

- Carlos Reichenbach nomeou alguns personagens com o nome de meus amigos mais próximos. “Isso tornou o trabalho um deleite, já que estes amigos são o reverso da personalidade dos personagens”.

- Em Garotas do ABC, Selton interpreta um jovem advogado, Salesiano de Carvalho, herdeiro de uma grande pedreira, que lidera grupo neofacista e lê Nietzsche. E também é co-produtor do filme.

- Sinopse completa:
Em São Bernardo, cidade do ABC paulista, região de fábricas têxteis e metalúrgicas, um grupo de operárias vive seu cotidiano de intenso trabalho, sonhos e ilusões. A principal delas, Aurélia, é fã do ator Arnold Schwarzeneger e adora homens fortes e musculosos. Seus problemas começam quando ela se apaixona por Fábio, um musculoso neonazista que integra uma gangue que vive praticando atentados contra negros e nordestinos. Entre as demais personagens femininas, algumas se destacam: a operária Paula Nélson, que é assediada por um líder sindical, ao mesmo tempo em que tenta manter a harmonia entre as meninas da fábrica; Antuérpia, que aos 38 anos tenta iniciar-se na profissão de tecelã; e a casta Suzana, apaixonada pelo patrão. Ela parece sentir prazer com os pequenos acidentes de trabalho que sofre e deixam marcas em seu corpo, além de garantir um bom dinheiro a título de indenização. Entre os protagonistas masculinos o mais desprezível é Salesiano de Carvalho, o líder dos neonazistas e mentor intelectual da série de atentados que eles praticam contra nordestinos e negros.

- Cachorros, Saylor e Lula

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