À
Margem da Imagem

À
Margem da Imagem” é documentário, que
vai focalizar as rotinas de sobrevivência, o estilo
de vida e a cultura dos moradores de rua do município
de São Paulo. Trata-se de um problema dramático
que vem se agravando a cada dia. O documentário vai
mostrar o cotidiano dessas comunidades que vivem em várias
áreas da cidade, principalmente na região central.
Nesta área, os moradores de rua têm acesso a
produtos e materiais descartados pelos escritórios,
bancos e estabelecimentos comerciais.
Ficha Técnica
Título original: À Margem da Imagem
Gênero: Documentário
Duração: 72 min.
Lançamento (Brasil): 2003
Direção: Evaldo
Mocarzel
Roteiro: Evaldo Mocarzel e Maria Cecilia Loschiavo
dos Santos
Produtora: SP Filmes de São Paulo
Produtor: Ugo Giorgetti
Produção executiva: Malu Oliveira
Assistente de produção: André
K. Furman
Direção de produção: Afonso
Coaracy
Fotografia: Carlos Ebert
Segunda Câmera: João Pedro Hirszman
Montagem: Marcelo Moraes
Som direto: Jorge A. Vaz
Design de Folder: BVDA / Brasil Verde
Cartaz: BVDA / Brasil Verde
Assessoria de Imprensa: ProCultura Assessoria de Imprensa
Elenco
Moradores de
rua
Pôsters
Premiações
- Recebeu o prêmio de Documentário de Longa Metragem
em 35mm, no 31º Festival de Gramado, 2003.
- Recebeu o prêmio de Melhor longa-metragem documentáriono
Festival do Rio 2003.
- Prêmios Recebidos pelo curta-metragem À Margem
da Imagem:
- XII Cine Ceará, 2002, melhor montagem para Marcelo
Moraes;
- XIII Festival Internacional de Curta de São Paulo,
2002, Prêmio de Aquisição do Canal Brasil,
Prêmio de Aquisição Espaço Unibanco
de Cinema e um dos melhores na escolha do Júri Popular;
- XXIX Jornada da Bahia, 2002, Prêmio Glauber Rocha
(melhor curta e melhor montagem);
- CNBB, 2002, Margarida de Prata (melhor curta);
- II Goiânia Mostra Curtas, Icumam, melhor curta da
Mostra Brasil;
- I Paracine, 2002, melhor documentário pelos Júris
Oficial e Popular;
- 9º Vitória Cine Vídeo, melhor montagem
e Prêmio ABD (Associação Nacional dos
Documentaristas);
- V Festival Internacional de Cinema Brasileiro de Paris,
2003, melhor curta;
- 49º lnternational Short FiIm Festival Oberhausen, Alemanha,
2003, menção honrosa do Júri Internacional
e menção honrosa do Júri Ecumênico.
Curiosidades
- Baseado nas pesquisas de Maria Cecília Loschiavo
dos Santos, que durante 5 anos coordenou o projeto "Aspectos
do Design no Habitat Informal das Grandes Cidades" e
pesquisou o modo de vida dos moradores de rua das cidades
de São Paulo, Los Angeles e Tóquio.
- Existem duas versões do documentário: um curta
de 15 minutos e um longa de 72 minutos. A pesquisa de Maria
Cecília Loschiavo dos Santos gerou também o
curta-metragem À Margem da Imagem (2001), também
dirigido por Evaldo Mocarzel.
- À Margem da Imagem é o primeiro longa de tetralogia
que será seqüenciada com À Margem do Concreto,
À Margem do Lixo e concluída com À Margem
do Consumo. À Margem do Concreto - em fase de produção
- focaliza as ocupações de prédios vazios
no município de São Paulo. A terceira parte
da tetralogia - À Margem do Lixo - mostrará
a vida dos catadores de materiais recicláveis na capital
paulista, O quarto título - À Margem do Consumo
- mostrará o espírito consumista dos moradores
de uma favela na periferia de São Paulo. Os quatro
filmes têm como objetivo traçar um panorama das
estratégias de sobrevivência de uma outra cidade
à margem da cidade de São Paulo.
- Filme de estréia de Evaldo Mocarzel como diretor
de longa-metragem.
- Exibido na mostra Première Brasil, no Festival do
Rio 2003. Selecionado para o Festival de Leipzig, Alemanha,
2003; IV International Short FiIm Festival Amsterdam, Holanda,
2003; e Festival de Rotterdã, Holanda 2003.
- Além de exibição em cinema e emissoras
de TV, o documentário vem sendo exibido em instituições
que dão assistência aos moradores de rua, albergues,
casas de convivência, ONGs (Organizações
não Governamentais), universidades e centros de pesquisa
no Brasil e no exterior.
- À Margem da Imagem tem como objetivo estimular o
debate entre estudiosos do tema como urbanistas, geógrafos,
assistentes sociais e sociólogos, além de sensibilizar
e informar pessoas responsáveis pela elaboração
de políticas públicas para a população
de moradores de rua.
- Roteiro:
Primeiro bloco A tensão entre a arquitetura high tech
e pós-moderna da cidade de São Paulo e a "arquitetura"
de plástico e de papelão criada pelos moradores
de rua. O contraste e o embate ente a cidade de concreto e
essa outra cidade que sobrevive à margem da riqueza
do mais importante centro econômico do País.
Segundo bloco Como se materializa essa outra cidade de plástico
e de papelão? Como o se dá a rotina de vida
privada nos espaços públicos? O cotidiano dos
moradores de rua: seus hábitos, estilos de vida, etc.
Terceiro bloco Estratégias de sobrevivência e
o trabalho informal. Os moradores de rua trabalham diariamente
em várias atividades que variam de acordo com a área
da cidade onde vivem. Atividades como biscates, tomar conta
de carros, carregar e descarregar caminhões de alimentos,
principalmente catar do lixo materiais que são selecionados
e posteriormente vendidos em centros de reciclagem de papel,
vidro, alumínio, etc. É comum, na cidade de
São Paulo, ver moradores de rua transportando cargas
pesadas de materiais recicláveis em suas carroças
de madeira ou em carrinhos de supermercado.
Quarto bloco O desemprego. Grande parte da população
de moradores de rua é composta por desempregados. Desprovidos
de qualquer recurso para pagar aluguel em cortiço ou
barraco de favela, eles encontram nas ruas de São Paulo
o seu último refúgio. Muitos recusam-se a roubar
e sonham com a possibilidade de se reintegrar à sociedade
por meio do trabalho. A memória dos episódios
do passado que levaram os moradores de rua ao desemprego e
à exclusão social.
Quinto bloco Identidade. O documento de identidade e a carteira
de trabalho são, para o morador de rua, o último
vínculo com a possibilidade de voltar a se tornar um
cidadão; a última fronteira num processo irreversível
de exclusão social absoluta. O extremo zelo que o morador
de rua tem com os seus documentos, ou seja, com a própria
identidade e memória. Os documentos são quase
sempre escondidos com o máximo de segurança
num ambiente de incerteza total como as ruas de São
Paulo. Essa identidade também se revela com muita força
na construção "da arquitetura" de
plástico e de papelão do morador de rua. As
colagens e as composições revelam um imaginário
de uma identidade que ainda resiste.
Sexto bloco O medo e as doenças. O morador de rua vive
submetido a todos os tipos de ataque, desde o roubo de seus
documentos até as várias doenças que
se espalham pelas ruas, como Aids, tuberculose, sarna e leishmaniose,
entre outras. O alcoolismo e a dependência química
estimulados pelo desemprego e por um cenário sem esperança.
O impacto massacrante desse processo de exclusão sócio-espacial
leva o morador de rua a manifestar surtos vertiginosos dos
mais variados tipos de doença mental.
Sétimo bloco A fé, a religiosidade e certas
práticas artísticas espontâneas entre
os moradores de rua. A relação dos moradores
de rua com as diferentes religiões, que ainda trazem
à tona um pouco de esperança para resistir ao
sofrimento da vida nas ruas. A prática de artesanato
espontâneo que transforma o lixo em objetos singelos
e revela uma humanidade que jamais vai morrer. Com uma latinha,
um morador de rua faz cinzeiros, aviões, helicópteros,
luminárias e outros objetos funcionais para o seu cotidiano.
Oitavo bloco O roubo da imagem. A mídia e as políticas
urbanas tendem a "higienizar' as imagens dos moradores
de rua das grandes cidades. Por outro lado, artistas, fotógrafos,
equipes de televisão e cineastas também tendem
a estetizar a miséria, tornando-a a mais fotogênica
possível. O questionamento do uso que se faz da imagem
do morador de rua nos levou à seguinte pergunta: A
quem pertence o direito de imagem de quem vive à margem
das grandes cidades?
- Justificativa De Prêmios:
"Neste momento em que o Brasil encontra-se em nova etapa
de construção, sentmos que éhora de valorizar
o cinema verdade, capaz de mostrar sem retoques ou retakes,
a cara do povo brasileiro. Por sua coragem em tornar-se porta-voz
dos excluídos, pela força de seu discurso, capaz
de nos atingir - e a si próprio - com um soco no estômago
e, ainda, por sua nonestidade ao desnudar-se diante de todos
os olhares, o Troféu ABD vai para À Margem da
Imagem." - Júri do Prêmio ABD (Festival
de Vitória-ES / 2002)
"O filme discute com sensibilidade a apropriação
da miséria pela arte e pela mídía e,
ao mesmo tempo, percebe a dimensão humana dos personagens
no espelho do cinema." Júri da Jornada de Cinema
da Bahia, 2002
"O prêmio de melhor curta vai para À Margem
da Imagem, pela maneira original, inovadora, do ponto de vista
ético e estético, com que trata as pessoas sem
direito à imagem ou excluídas do mundo audiovisual,
por causa da marginalização social em que subsistem,
A inovação ética decorre do fato de que
o diretor e sua equipe, para filmar o grupo de favelados de
São Paulo, procuraram primeiro obter a autorização
de cada um deles. Em geral, o que prevalece no mundo inteiro
nesses casos é o roubo da imagem, o abuso na exploração
comercial desse crime, sem que a palavra seja ao menos dada
aos pobres. Neste filme, ao contrário, o favelado é
convidado a buscar, a compor sua própria imagem no
ato de viver, o que ele acaba fazendo com dignidade, confiança,
acentos de ternura, de alegria, reflexões humoradas
sobre o belo e o feio, em suma, com tudo o que encerra o gosto
pela existência e sem aqueles surtos de violência
causados pela precariedade social. Nesta pesquisa sobre humanismo
e cinema muito bem dirigida e filmada, se põe em questão
e parte para a auto-ironia nas cenas sobre as reações
dos favelados à maneira como foram representados no
filme." Júri do Festival do Cinema Brasileiro
de Paris, 2003.