As Alegres Comadres
Um filme divertido, que consegue entreter durante sua duração. "As Alegres Comadres" é uma autêntica farsa, onde seus principais personagens se dedicam principalmente a pregar peças em seus conterrâneos. Após uma apresentação inicial dos personagens, a trama se dedica a mostrar farsa atrás de farsa, onde ora os personagens são vítimas ora são articuladores das brincadeiras. Boa escolha do elenco, especialmente em relação a Guilherme Karam, que consegue mesclar um espírito bufão com ares de vilão da história. Bom filme. Nota 6.
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À Margem da Imagem
Em um Festival do Rio de anos atrás tive a oportunidade de assistir o curta-metragem "À Margem da Imagem". Apesar dele já ser bastante premiado na época, não havia gostado do curta por achar que, apesar de falar sobre um tema interessante - a utilização de imagens da miséria gerando prêmios e dinheiro sem que nada produza de retorno para os próprios retratados - achava que o tema havia sido mal explorado. Por causa desta impressão não tinha grandes expectativas para o longa-metragem "À Margem da Imagem" mas, felizmente, o filme acabou sendo uma grata surpresa.
No documentário a idéia do curta é mantida, porém ela vai mais além. O filme mostra mais uma vez a utilização de imagens da miséria, mas agora também se dedica a apresentar o "povo da rua", ou seja, as pessoas que moram nas ruas de uma grande cidade. Esta apresentação acontece através de diversas entrevistas, onde estas mesmas pessoas dizem o porquê de terem ido morar nas ruas, suas expectativas, seu modo de vida, como sobrevivem e seus pensamentos sobre os mais diversos assuntos, como direitos do cidadão e política. Tais entrevistas são relatos muito duros, por mostrarem explicitamente a miséria existente nas grandes cidades e até mesmo porque sabemos que tais relatos são verdadeiros, mas ao mesmo tempo são bastante esclarecedores. Um bom filme, que merece ser assistido e também debatido após a sessão. Nota 7.
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1,99 - Um Supermercado Que Vende Palavras
Aviso de antemão: se você é daqueles que amam o cinema americano e seu formato certinho, com início, meio e fim, fique longe deste filme. "1,99" é um filme bastante interessante, mas que também usa muito o artifício da simbologia. Ou seja, nada do que é mostrado é óbvio ou fácil de ser compreendido.
Na verdade o filme não possui uma trama linear e sim trabalha bastante conceitos sobre o comportamento humano. Inclusive acredito que ele deva ser bem mais interessante para quem tenha um conhecimento maior sobre psicologia, pois terá condições de interpretar melhor o que é exibido em cena. Ainda assim trata-se de um filme bastante intrigante de ser assistido, pelo formato proposto pelo diretor Marcelo Masagão. O clima de estranheza do supermercado é permanente, num contraste com a leveza e suavidade com a qual a câmera passeia durante o filme. Outro ponto que vale ressaltar é a completa ausência de emoções por parte das pessoas que estão no supermercado - a única cena onde há algum tipo de emoção é o leve sorriso dado por um homem após ganhar na máquina caça-níquel.
Além disso no decorrer do filme Masagão utiliza diversas colagens, de fotos, frases e logomarcas, que falam sobre os próprios personagens - um recurso que inclusive foi bastante utilizado pelo mesmo diretor em seu filme de estréia, "Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos". Estas colagens servem também para quebrar um pouco o ritmo do filme, mostrando que há naquelas pessoas algo além daquela aparência robótica a qual o filme apresenta.
"1,99" é um bom filme, mas não é fácil de ser digerido. Completamente sem diálogos, ele possui algumas cenas muito boas - a do caixa eletrônico, por exemplo -, mas sofre um pouco pela própria limitação do tema, que por se fixar sempre em situações do comportamento humano acaba cansando um pouco. Atenção para os créditos finais do filme, onde há algumas pérolas escondidas. Nota 6,5.
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Um Passaporte Húngaro
A regra básica para qualquer documentário é: fale sobre um tema que provoque interesse no público, que o faça assistir e se informar sobre o tema apresentado por mais ou menos duas horas. O grande problema de "Um Passaporte Húngaro" é justamente que este tema interessante não existe.
O filme é na verdade o desenrolar do processo do pedido de nacionalidade húngara feito pela própria diretora, Sandra Kogut, cujo avô era húngaro e imigrou para o Brasil cerca de 60 anos atrás. Neste processo são entrevistados amigos da diretora, sua avó e diversos funcionários de embaixadas. Enquanto o filme tenta apresentar um panorama do que era o Brasil e a Europa na época em que os avós da diretora imigraram "Um Passaporte Húngaro" até provoca interesse, mas este tema é o menos explorado durante o filme. Durante grande parte o que é visto é o processo burocrático do pedido de nacionalidade, que não provoca interesse algum a não ser por uma ou outra curiosidade, que de vez em quando surge em cena. Nada que sustente a criação de um documentário apenas para falar deste assunto. Nota 6.