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Sétima Arte

por Francisco Russo

O Homem Que Copiava

 

Alguns anos atrás ouvi os mais diversos elogios a um curta-metragem nacional, Ilha das Flores, considerado o melhor de todos os tempos. Após alguma procura enfim consegui achá-lo numa mostra no Rio de Janeiro, constatando que realmente tratava-se de um genial curta-metragem, não só pelo formato com o qual é trabalhado mas também pela mensagem que passa.

Todo este prólogo serve para dizer que O Homem Que Copiava tem muito de Ilha das Flores. O diretor é o mesmo, Jorge Furtado, e o tratamento da narrativa de ambos os filmes é bastante parecido. Aqui Furtado usa os mais diversos estilos - animação, colagem, quadrinhos, etc - para contar a história de um jovem voyeur que se apaixona pela sua vizinha. Esta diversidade é um dos pontos altos do filme, pois ao mesmo tempo em que surpreende consegue entreter o espectador, e acaba se transformando em um grande aliado ao criativo roteiro, outro ponto alto do filme.

Em sua 1ª metade, aproximadamente, o filme é basicamente focado nos pensamentos do personagem de Lázaro Ramos, que servem para que o espectador possa compreender melhor o mundo do protagonista. É neste período em que as semelhanças com Ilha das Flores são mais visíveis e é também neste período que, curiosamente, pouquíssimo se anda na história central do filme. Fala-se da vida de André, de seus sonhos, de seu trabalho, de seu passado, de sua paixão por Sílvia, mas muito pouco da história se desenvolve neste período. Por outro lado, esta é também a melhor e mais divertida parte do filme.

Na 2ª metade é que a história da paixão entre André e Sílvia realmente se desenrola. Neste momento o filme deixa um pouco de lado o tom cômico para ir se transformando, aos poucos, em um leve suspense. No final ainda há uma curiosa surpresa, daquelas que faz com que você reveja o filme em sua mente para poder reencaixar as peças do quebra-cabeça.

O Homem Que Copiava é um bom filme, divertido e imprevisível, que se baseia principalmente no roteiro e na direção de Jorge Furtado. As atuações do elenco são boas, em especial a de Leandra Leal, mas elas acabam sendo ofuscadas pelos rumos que a narrativa e a própria história tomam no filme. Não chega a ser tão bom quanto Houve Uma Vez Dois Verões, filme anterior de Furtado, mas vale a ida ao cinema.

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